BLOG ALLNEXS

E se a gente surfasse na onda?

Nem toda tendência merece adesão. Nem toda moda merece desprezo. Maturidade profissional exige critério para reconhecer oportunidades sem abandonar a crítica.

Existe um certo orgulho profissional em dizer: isso é só modinha. Nós, psicólogos, temos bons motivos para desconfiar. Conceitos aparecem de repente, ganham seguidores, cursos, palestras, posts e livros e, pouco depois, desaparecem. Ter senso crítico é parte da nossa responsabilidade. O problema começa quando o ceticismo vira regra.

Nem tudo que se torna popular é vazio

Questionar evidências, fundamentos, aplicabilidade e coerência teórica é necessário. Mas uma ideia pode ganhar força justamente porque conseguiu capturar a atenção das pessoas para um tema que precisava ser discutido.

A campanha Setembro Amarelo oferece um exemplo. É possível criticar abordagens superficiais, mensagens inadequadas ou ações restritas a um mês. Também é possível reconhecer a potência de um movimento conhecido para ampliar conversas sobre sofrimento psíquico, prevenção do suicídio e busca de ajuda.

A visibilidade não substitui a competência. Ela cria uma janela de atenção. O trabalho profissional começa quando usamos essa janela para aprofundar a conversa, apresentar limites, orientar condutas responsáveis e construir ações que permaneçam depois que a campanha termina.

Quando a onda chega às organizações

De repente, todos falam sobre desenvolvimento de pessoas, liderança, saúde mental, cultura, segurança psicológica ou inteligência emocional. A primeira reação pode ser desqualificar o tema porque ele entrou no vocabulário corporativo.

Mas e se fizéssemos uma pergunta diferente? O que existe nessa onda que pode ser aproveitado? Influência também depende de contexto. Aquilo que está em evidência pode funcionar como porta de entrada para uma conversa mais profunda, desde que o profissional saiba o que deseja construir.

A moda chama a atenção. Nosso trabalho dá profundidade. A tendência abre a porta. Nossa competência decide o que fazemos dentro dela.

O problema não é surfar, é perder a direção

Aderir automaticamente transforma o profissional em repetidor. Rejeitar automaticamente reduz sua capacidade de influência. Entre os dois extremos existe o critério: examinar evidência, finalidade, público, risco e possibilidade de continuidade.

Algumas ondas precisam ser enfrentadas porque produzem dano ou distorcem conceitos importantes. Outras permitem alcançar pessoas que não chegariam pela linguagem acadêmica. A maturidade está em perceber a diferença e escolher conscientemente.

O que podemos fazer com esse conhecimento?

  1. Perguntar qual problema real a tendência ajuda a tornar visível.
  2. Verificar evidências e limites antes de reproduzir conceitos.
  3. Adaptar a linguagem ao público sem empobrecer o conteúdo.
  4. Planejar uma ação que continue depois do pico de atenção.
  5. Recusar a tendência quando o risco ou a desinformação superarem o benefício.

Nem adesão automática, nem rejeição automática

Talvez o desafio não seja deixar de seguir modas, mas aprender a avaliá-las. Em algumas situações, romper com o contexto é necessário. Em outras, saber entrar no contexto aumenta nossa capacidade de influência.

Maturidade profissional talvez não seja escolher entre seguir a onda ou nadar contra ela. Talvez seja saber quando fazer cada um dos dois, sem perder a direção.

FONTES CONSULTADAS
  1. Campanha Setembro Amarelo, Diretrizes, informações e materiais para prevenção do suicídio (2026) ↗
  2. Organização Mundial da Saúde, Preventing suicide: a resource for media professionals (2023) ↗

CONHECIMENTO QUE SE CONECTA

Leve esta reflexão para uma decisão possível.

Conheça os projetos, formações e caminhos da NEX PSI.

Explorar NEX PSI